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Brasil

31/07/2020 às 16h37

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Jediel Ribeiro Lemes

TERRA DO NOVA DO NORTE / MT

Mesmo na pandemia, expectativa de crescimento da produção de leite catarinense é grande
Para aumentar a competitividade, reuniões com representantes das principais entidades e do Governo do Estado estão sendo realizadas de maneira online
Mesmo na pandemia, expectativa de crescimento da produção de leite catarinense é grande

Apesar da pandemia do novo coronavírus, que afetou negativamente a maioria dos setores, em Santa Catarina, a expectativa da produção de leite deste ano é grande. As estimativas da Epagri/Cepa são de que a produção catarinense deva superar os três bilhões de litros em 2020, seguindo o crescimento observado nos últimos anos. "O Estado segue com essa expectativa de crescimento e de aperfeiçoamento da sua produção, visando maior qualidade, maior segurança dos alimentos e expansão dos mercados", aponta o médico veterinário Jader Nones, Gestor do Departamento Estadual de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).


Importância do leite para economia


A produção leiteira vem se superando nos últimos anos no Estado e é possível verificar isso através dos dados oficiais. Segundo um levantamento do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), de 1996 a 2017, o aumento na produção estadual superou até mesmo a taxa de crescimento mundial. Os catarinenses aumentaram em 223,5% a produção em 21 anos, três vezes mais do que a taxa nacional e quatro vezes mais do que o crescimento mundial. Em 1996, Santa Catarina produziu 869 milhões de litros de leite e, em 2017, a quantidade saltou para 2,81 bilhões de litros. “O leite é um dos destaques do agronegócio catarinense. Nos últimos anos tivemos um grande crescimento na produção e chegamos à quarta posição no ranking nacional. A produção de leite envolve uma cadeia produtiva extensa, com milhares de famílias e empregos gerados. O leite tem um impacto social e econômico muito significativo para o estado de Santa Catarina”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo de Gouvêa. Além disso, mesmo durante a pandemia, o preço do produto não sofreu grandes baixas. De acordo com dados apresentados pelo Conseleite, os preços dos lácteos iniciaram uma reação no mês de junho e se mantiveram no primeiro decêndio de julho. O valor de referência para o leite padrão de junho fechou em R$ 1,5176 e para a primeira quinzena de julho a projeção é de nova alta, alcançando R$1,5393. O leite é fundamental para a retomada econômica no estado, pois é um dos principais produtos da agropecuária. No total, em Santa Catarina são mais de 70 mil famílias envolvidas na atividade e o setor gera cerca de oito mil empregos diretos. O produto tem o terceiro maior faturamento da agropecuária catarinense, gerando receita de R$ 3,72 bilhões em 2019.


Desafios da cadeia produtiva


Apesar dos bons números, o setor produtivo do leite ainda possui alguns desafios pela frente. Entre eles, melhorar a infraestrutura, atender plenamente a demanda nacional e participar mais ativamente do mercado internacional. Visando aumentar a competitividade do setor, reuniões com representantes das principais entidades envolvidas na cadeia produtiva e com representantes do Governo do Estado estão sendo realizadas de maneira online. "O leite produzido no estado de Santa Catarina vem evoluindo muito em termos de qualidade graças a ações conjuntas entre produtores e indústrias instaladas no território catarinense, mas sabemos que sempre temos um passo a mais, um novo patamar a ser alcançado", destaca o presidente do Sindileite/SC, Valter Brandalise. Com um rebanho diferenciado e certificações internacionais, devido ao cuidado com a saúde animal, além de sistemas competitivos de produção, grande variedade de produtos lácteos, empresas de renome nacional e internacional e boa infraestrutura portuária, Santa Catarina está entre os estados brasileiros com as melhores condições de se tornar um provedor de lácteos também para o mercado internacional . O desafio das indústrias catarinenses, além de melhorar a qualidade do leite no campo, é manter um sistema de transporte adequado que possa manter esta qualidade até o destino final. Para o presidente do Sindileite/SC, Valter, é preciso ter um leite de qualidade, mas, ao mesmo tempo, competitivo. "Precisamos melhorar a escala de produção, ter uma organização logística melhor, reduzir custos de produção, evoluir na qualidade do leite e sanidade do rebanho, melhorar a infraestrutura viária e elétrica, reduzir a guerra fiscal entre os estados que desequilibra a concorrência, reduzir a carga tributária e o peso do Estado sobre o processo produtivo. Precisamos simplificar processos, dar celeridade aos licenciamentos para novos investimentos e com tudo isso buscar a competitividade no mercado internacional." Sanidade animal A sanidade dos animais e a adequada produção do leite são as exigências mais recorrentes dos países que importam leite brasileiro. Apesar de Santa Catarina já apresentar bons números nesse quesito, mais medidas para assegurar a redução dos casos de doença estão sendo tomadas. Publicada no dia 4 de junho, pela Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, a Portaria SAR n° 16/2020 visa o cumprimento de uma série de critérios e procedimentos para a produção de leite. Critérios que são exigências para que o Estado consiga uma redução dos casos de brucelose e tuberculose bovina e bubalina. Conforme determina a portaria, o produtor de leite, além de adotar as boas práticas de produção agropecuária, deve realizar os exames de brucelose e tuberculose a cada 3 anos. É importante também ter cuidado na hora de adquirir animais, atestando que sejam saudáveis e que estejam livres dessas doenças. "A Portaria tem como objetivo a redução a números desprezíveis dos casos de brucelose e tuberculose bovina e bubalina, uma vez que estas doenças são zoonoses (transmitem dos animais para humanos). Além disso, essa redução da ocorrência das doenças representará mais um diferencial sanitário para o Estado de Santa Catarina", explica Jader. A portaria entrará em vigor 90 dias após sua publicação e os produtores devem fazer as adaptações necessárias, visando o atendimento tanto a ela quanto às Instruções Normativas 76 e 77/2018. "Todas as agroindústrias catarinenses devem seguir os procedimentos previstos na Portaria e nas INs 76 e 77/2018, tendo o devido controle de todo o processo de produção", pondera o médico veterinário Jader. Para o médico veterinário, é imprescindível que todos os elos da cadeia leiteira assumam suas responsabilidades e executem seu trabalho da melhor forma possível, cumprindo as normativas referentes. "Desta forma, teremos uma matéria-prima de alta qualidade e, consequentemente, produtos inócuos e seguros para o consumo, além da maior rentabilidade para produtores e indústrias”, finaliza Jader. Capacitação e aperfeiçoamento dos produtores de leite Quanto à necessidade de aperfeiçoamento e especialização do produtor de leite, Jader explica que é um investimento importante e necessário. "Cabe destacar que a manutenção de um rebanho sadio (ausência de mastite e doenças como brucelose e tuberculose) evita perdas na produção e, consequentemente, proporciona menor desperdício de matéria prima, respeito ao bem-estar animal e maior lucratividade." O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal possui um programa de treinamento para profissionais atuantes na área de leite e derivados. Além disso, o Programa Mais Leite Saudável do governo federal também é um forte aliado no trabalho de melhoria da qualidade do leite. O objetivo é disponibilizar aos produtores técnicas de manejo, nutrição, sanidade e minimizar possíveis desvios que afetam a qualidade da matéria prima.  


FONTE: G1

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