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03/07/2020 às 14h49

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Jediel Ribeiro Lemes

TERRA DO NOVA DO NORTE / MT

Tudo em família
Como o filho Nicolasito vem sendo preparado por Maduro para tornar-se seu herdeiro político na Venezuela.
Tudo em família

No melhor estilo dos regimes autocráticos, um nome ganha força no círculo do poder venezuelano: Nicolás Maduro Guerra, só conhecido como NIcolasito, também apelidado de Kim Jong-un tropical. O filho único do ditador Nicolás Maduro vem sendo preparado para tornar-se seu herdeiro político e deverá sair candidato a deputado nas eleições legislativas anunciadas para dezembro e que a oposição promete boicotar.


Nicolasito tem credenciais acumuladas no berço chavista. Segue o pai desde 2013, quando foi alçado à presidência como herdeiro político do mentor Hugo Chávez.


Alvo de sanções impostas pelos EUA, que o acusam de enriquecer ilegalmente e de fomentar propaganda e censura que beneficiam o regime, Nicolasito se consolida no poder. Preside reuniões com generais e apresenta o próprio programa nas redes sociais, reproduzido pela emissora oficial VTV -- o Maduro Guerra Live.


Filho do primeiro casamento de Maduro, ele comporta-se como príncipe. Quando as divisas estrangeiras eram restritas na Venezuela, foi filmado dançando num casamento sob uma chuva de dólares. No auge da pandemia, com o país em quarentena rigorosa, teria celebrado os 30 anos com uma festança. Os vizinhos reclamaram do barulho, mas acabaram presos o chefe da polícia de El Hatillo e mais dois agentes, que atenderam ao chamado e denunciaram publicamente a chamada “coronafesta”.


Com apenas 23 anos, assumiu um cargo especialmente desenhado para ele -- o de chefe do Corpo de Inspetores Especiais da Presidência, uma espécie de czar anticorrupção. Depois foi nomeado diretor da Escola Nacional de Cinema e atualmente é um dos 500 membros da Assembleia Constituinte, criada como poder paralelo ao Legislativo venezuelano, controlado por partidos opositores.


Na viagem que fez no ano passado à Coreia do Norte, Nicolasito esteve várias vezes com o ditador Kim Jong-un e exaltou o regime mais fechado do mundo, perpetuado desde 1948 na mesma dinastia.


Nepotismo e clientelismo se confundem na Venezuela. Denúncias da ex-procuradora-geral Luisa Ortega, atualmente exilada na Colômbia, publicadas pelo site El Pitazo, vinculam o filho de Maduro a Santiago José Morón Hernández, sócio da construtora Cresmo C.A., que atuaria como seu laranja.


“Não poderíamos compreender o caráter da ditadura de Nicolás Maduro se não nos detivermos no peso e na incidência que os fatores familiares tiveram e têm no modo em que abusam do poder e das riquezas venezuelanas”, resumiu Miguel Henrique Otero, diretor-geral do jornal “El Nacional”.


Não por acaso, a nova presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Indira Alfonso, anunciou, repentinamente, que a composição do Parlamento será ampliada de 167 para 277 deputados. O governo controla o órgão eleitoral, o Supremo Tribunal de Justiça, já interveio e inabilitou líderes da oposição. Agora, Maduro confia ao filho os planos para consolidar a própria dinastia e eternizar-se no poder.


FONTE: G1

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